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Arquivo mensal: junho 2011

O SUDÃO É UM RETRATO DA ÁFRICA


Sudão, palavra árabe usada pelos geógrafos muçulmanos ao descreverem “a terra dos negros”, é um exemplo clássico de como a interferência dos colonizadores europeus e seus interesses econômicos descaracterizaram completamente o continente africano levando muitos países a um caos do qual não conseguiram se erguer até hoje.

A África sofre um dilema provocado pela colonização européia: formaram-se colônias que englobaram diversas tribos e etnias. Quando da descolonização as fronteiras herdadas do período colonial foram mantidas. Assim a maioria das nações africanas são multiétnicas e muitas etnias estão espalhadas por vários países como é o caso dos haisas que se espalham do Sudão à Costa do Marfim com maior concentração na Nigéria.
O Sudão não foge à regra. É formado por duas regiões bem distintas e várias etnias conflitantes. O sul, com 20% da população e 25% do território é formado por florestas, savanas e pântanos e habitado por africanos negros não islamizados, que na maioria são das etnias dinka, nuer, shelluk e azende praticando cultos étnicos tradicionais. O norte é árido, na grande maioria islâmico e culturalmente árabe, embora haja muitas etnias e tribos e a população descendente em grande parte dos Nubios, Bejas, Hausas e outros povos de pele negra, alguns dos quais falam língua própria.

HISTÓRIA

O Egito anexou o Sudão em 1820, mas em 1879 os britânicos intervieram no Egito e o Sudão tornou-se colônia inglesa. Quando o Egito com, Gamal Abdel Nasser, recuperou sua independência, os britânicos deram independência ao Sudão (1956), mas o Sul rebelou-se e lutou até obter autonomia em 1972 o que deu à região 10 anos de paz.
Em 1983 o presidente do Sudão Gasfar Nimeiry rompeu o acordo ao transformar o Sudão em república federativa, dividiu o sul em vários estados e impôs leis de caráter islâmico em todo o país. O sul novamente se rebelou sob a liderança do coronel Garang e a guerra civil reiniciou.

Em 1989 assume através de um golpe o Gen. Osmar Albashir, até hoje no poder no Sudão. Al-Bashir perseguiu oposicionistas, convidou Osama Bin Laden a se estabelecer no país e aprofundou a ofensiva no sul anexando a maior parte do território. Mas o sul de Garang conseguiu o apoio internacional que isolou o governo de Al-Bashir.
Nos anos 2000, pressionado pelo isolamento internacional Al-Bashir procurou apaziguar o Ocidente e fazer um acordo com o sul. Em 2005 negociou um acordo em Nairóbi que devolveu a autonomia ao sul e marcou um plebiscito sobre a separação em seis anos, realizado em janeiro de 2011. As regiões petrolíferas, situadas na área limite entre sul e norte seriam partilhadas. O governo Obama ofereceu a Al-Bashir retirar as sanções que pesam contra o país e perdoar parte da dívida se o compromisso for cumprido.
O plebiscito, realizado em janeiro deste ano teve comparecimento de 96% da população com vitória esmagadora dos partidários da autonomia do sul.
Encerra-se assim uma luta que deixou quase 2 milhões de mortos, a maioria civis. Houve sim um genocídio no Sudão.

O clima de permanente conflito não deve terminar com a separação. O fundamentalismo islâmico vê a separação como uma vitória do ocidente. No norte do Sudão lideres religiosos alegam fraude no plebiscito e dizem que a separação do sul é parte do plano do ocidente de enfraquecer o mundo islâmico.
Mas enfim, hoje as tribos do Sul podem finalmente festejar sua vitória depois de tantas décadas de luta e tantos…tantos mortos para chorar.

Este texto foi construido com base nos dados do artigo “Divórcio litigioso, vizinhos inquietos” de Antonio Luiz M.C.Costa escrito para a revista Carta na Escola edição de março 2011 pgs14 e 15.

 
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Publicado por em junho 9, 2011 em Uncategorized

 

AS BONECAS AFRICANAS

Na cultura ocidental a definição atual de um boneco é muito estreita, significa um brinquedo para uma criança.Nem sempre tem sido assim. Na Itália renascentista um boneco fazia parte da lista como fazendo parte do dote da noiva.
A mulher era encorajada a dar banho, alimentar a boneca com a esperança de que ela futuramente iria gerar uma criança agradável e saudável.
Isto demonstra que não são só as culturas africanas a utilizarem os seus bonecos como rituais.Existem exemplos semelhantes em muitas outras culturas em todo o mundo.
A boneca africana também não é considerada um brinquedo. Ela tem um significado bastante diferente e é utilizada com uma finalidade bem determinada.
Uma lenda ashanti *(1) conta que há muitos anos uma mulher grávida, um dia, esculpiu e aprimorou uma linda estatueta de madeira. Trouxe-a consigo durante meses, até dar à luz uma menina muito linda, semelhante à estatueta que havia esculpido. Desde então, todas as mulheres grávidas andam com uma estatueta às costas, que reproduz as formas anatômicas “perfeitas”, pelo menos segundo as tradições de beleza próprias da cultura.
A boneca pode ser mais ou menos estilizada, e a sua forma varia conforme se deseja ter um menino ou uma menina. Terá um rosto achatado e oval se a mulher desejar um rapaz, quase retangular se desejar uma menina.
A boneca pode servir para muita coisa.Primeiramente, tem o poder de favorecer, pelo menos simbolicamente, a fertilidade feminina. Afasta os espíritos malignos, pois se pensa que são eles a causa da infertilidade da mulher.
Depois, serve para augurar à mulher grávida que a criança que vai nascer seja saudável e linda.A beleza não é coisa “natural”, mas “cultural”; por exemplo, para os ashanti, ser belos significa ter o pescoço alongado e o rosto arredondado. Por isso, as bonecas são geralmente esculpidas com um pescoço longo e o rosto redondo e achatado. Pensamos que podemos, desta forma, influenciar a estrutura física da criança que vai nascer.
*(1) Os ashanti
A zona centro-noroeste de África que actualmente se chama Gana era conhecida no século XVII como o Reino dos Ashanti, um povo de origem sudanesa, que actualmente pouco supera o milhão de indivíduos.

Boneca angolana

Os significados da cultura africana foram modificados, seja pela igreja, seja por outras culturas para sobreviverem em outros locais. Como ritual de ancestralidade e valores, as bonecas produzidas tradicionalmente na África são utilizadas para representar pessoas falecidas e entes queridos. São também usadas para agradecer aos deuses pela boa saúde, riqueza, as boas colheitas e incentivar a fertilidade.

Boneca de Camarões

Elas são feitas a partir de materiais encontrados em seu ambiente natural, tem como base os desenhos das paredes de caverna pré histórica ou estatuetas de madeira e até mesmo de argila, e agora representadas por restos de tecido. Estas bonecas ou ídolos foram usados como ícones religiosos ou mágicos por muitos povos. Para muitas meninas negras tem um significado de afeto, pois elas são feitas pelas mães, tias, avós a fim de presentear com algo mais significativo do que um simples brinquedo é um presente que conta um pouco da vida, um gesto de perpetuação e amor.

Boneca de Gambia

Boneca do Senegal

Os materiais utilizados, as cores, e o design dos tarjes são uma reprodução fiel dos costumes de cada povo, não só de cada país africano, mas mais especificamente de cada tribo.

Boneca da África do Sul

África do Sul

Boneca Mundimba (Angola)

Ao longo da história universal a mulher, sempre foi encorajada a ter um objeto com feições humanas, ao alimentar e cuidar dessa boneca ela amadurecia o ato da maternidade e de constituição de família.

Boneca do Zimbábue


Bonecas da Nigéria

Bonecos da Etiopia

Boneca da Fertilidade (Gana)

Barbies Africanas

Material de pesquisa:
Blog Momentos de Reflexão
http://momendereflexao.blogspot.com
Forum Kandando Angola
http://kandando-angola.forum-livre.com

 
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Publicado por em junho 7, 2011 em Uncategorized

 

NÃO SOU SÓ MAZELA, SOU ESPERANÇA!

Me emocionei ao ver essa imagem. Nunca devemos perder a esperança, pessoal!

 

 
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Publicado por em junho 3, 2011 em Uncategorized

 

DIVERSIDADE CULTURAL INCOMENSURÁVEL

Impressionante a diversidade étnica encontrada num mesmo continente. Vejam essas fotos e percebam as diferenças culturais encontradas num mesmo continente.

Fontes:

http://tribosda82.blogspot.com/2009/11/recepcao-das-tribos.html

http://deaguida.blogspot.com/2011/05/que-beleza-e-o-marrocos.html
 
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Publicado por em junho 3, 2011 em Uncategorized